sexta-feira, março 09, 2007

Eu quero andar pela 23 de Maio sem ver o Bush

Um amigo me disse, há poucos dias, uma frase assustadoramente profética. "A cada vez que Bush se mexe, algo de ruim acontece em alguma parte do mundo. Ele é o epicentro do mal". Pensei no Iraque, em Guantánamo e até nos conterrâneos dele de Nova Orleans, que neste caso experimentaram o mal apenas por serem pobres e negros. Esta semana, quando o mal esteve entre nós, dei ainda mais razão para o meu amigo. Os pobres que viviam há mais de 15 anos ao lado do hotel onde ele se hospedou, no Morumbi, foram desalojados - um eufemismo para sinalizar a truculência municipal que demoliu seus barracos, varreu seus carrinhos de cachorro-quente e escondeu seus tapumes. No momento em que tudo isso ocorria, Bush devia estar embarcando. O que comprova a tese: ele estava se mexendo lá, e alguma coisa de ruim já acontecia aqui. Como se fosse pouco esta atitude arbitrária de esconder de Bush a face da pobreza brasileira (como se fosse possível a este Brasil continuar escondendo e maquiando sua miséria), nós, paulistanos, evitamos sair às ruas com medo de encontrar bloqueadas as marginais ou avenidas como a 23 de Maio, reservadas apenas à passagem de Bush e sua comitiva. Caramba, mesmo quando ele não bombardeia, ele consegue tirar um país do eixo. Eu quero andar pela 23 de Maio e pela Marginal Pinheiros sem ver o Bush. É o mínimo a que temos direito.

2 comentários:

duilio ferronato disse...

eu falei com o bush ontem e ele prometeu não voltar mais.

Barbara disse...

A gente tem que pensar que ele ainda tem dois anos pela frente, e o quanto ele vai aprontar ate la?