segunda-feira, janeiro 19, 2009

Cada um tem a estrela que merece

Na semana passada, pensei em escrever alguma coisa sobre a aterradora entrevista da atriz Suzana Vieira, publicada nas páginas amarelas da revista Veja. Mas como vi que o Alberto Guzik já havia escrito no blog dele sobre o mesmo assunto, e com uma linha de raciocínio muito semelhante àquela que eu pretendia utilizar, resolvi deixar quieto. Mais elegante que eu, o Guzik decidiu apenas comentar o teor monstruoso da entrevista, optando por deixar de fora algumas declarações deprimentes da atriz, como estas poucas a seguir (afinal, resolvi ser menos elegante que o Guzik)

1) “Só soube agora que pessoas com deformidade da mente, como ele, transam muito bem”;

2) “Precisei de quatro sessões de psicanálise para me recuperar das revelações que a namorada do Marcelo me fez ao telefone’ (Aqui, ponto para Suzana Vieira ou para a maravilhosa psicanalista que ela resolveu procurar, pois com quatro sessões a gente cura, no máximo, um torcicolo ou uma unha encravada. Eu faço terapia há seis anos e sinto que grande parte dos meus problemas não foi sequer mencionada ainda);

3) “Eu, que sempre gostei de sexo, amor e carinho...se ele me completava neste departamento, não precisava falar de museu”. (Acredito que nem de museu e nem de outra coisa qualquer. Provavelmente, porque ele não devia possuir conhecimento algum sobre qualquer museu do mundo. E, caso tivesse, garanto que não encontraria na atriz uma boa interlocutora)

4) “Envelhecer deve ser horrível, mas, como não envelheço, estou ótima” (com esta resposta, a atriz deixa claro que deixou de pertencer à raça humana e deve ter se transformado em tartaruga sem que o público tenha percebido)

Escrevi no blog do Guzik que o que mais me revoltava nesta história toda não era o corolário de absurdos proferido pela atriz, mas a certeza de que, na edição desta semana da Revista Veja, haveria uma série de cartas de leitores apoiando o pensamento vivo de Suzana Vieira. Não deu outra. Da Bahia à Irlanda, de Santa Catarina ao Paraná, choveram cartas de leitores dispostos a ressaltar o caráter inabalável da atriz, sua força, sua inteligência, sua lucidez, sua personalidade e até a “grandiosidade de sua alma”. Um dos leitores termina a carta assim: Parabéns, grande Mulher!

Desde pequeno a gente é ensinado a respeitar a opinião dos outros. Então, respeito a opinião de todos aqueles que escreveram para comparar Suzana Vieira a uma grande pensadora, a uma grande atriz e até mesmo a uma grande mulher. Da mesma maneira que eu acho que Suzana Vieira e o finado Marcelo Silva foram feitos um para o outro, agora acho que Suzana Vieira e os missivistas da revista Veja também foram feitos um para o outro. Que sejam felizes. E que possam se reunir, um dia, em um almoço de confraternização comandado pela Ana Maria Braga na casa dos Big Brother, com narração do Pedro Bial. Neste dia, a tragédia estará completa. E sinto dizer que não estamos longe disto.

10 comentários:

Anônimo disse...

perfeito seu comentário, serginho. eu queria ter escrito mais e pensei em pinçar umas "pérolas" da entrevista dessa tão "grande mulher", mas juro que me deu gastura. não consegui. que bom que você fez isso. teu post é ótimo. mas apesar do seu fino humor que nunca deixa de comparecer, que tristeza que dá tudo isso! beijão, guza.

Só no blog disse...

Guza, como eu disse no post. A gente não quer (e efetivamente não sabe) mais que ninguém. E ainda se esforça para respeitar a opiñião alheia. Mas juro que não consigo entender qual é o tipo de pessoa que, após ler tanta barbaridade, enxerga na Suzana Vieira um exemplo de coragem, de bravura, de dignidade. E o que é pior: um exemplo para os outros seremos humanos. Quando vejo uma coisa dessas, eu acho que a espécie humana não tem mais salvação mesmo,é sério

Priscila Nicolielo disse...

hahaha ela não bate bem mesmo. já errou na escolha desse homem deprimente, podia ficar quieta e fingir que foi um momento de loucura que passou, mas enfim, é a susana vieira, uma "grande mulher"!
bj

Maria Clara disse...

hahahahahahaha...

Maria Clara disse...

mas é triste... porque é verdade.

Kiko disse...

Tinham falado muito mesmo, mas não imaginava que a barbaridade fosse tão grande. Essa primeira é a pérola das pérolas!

Só no blog disse...

Maria Clara e Kiko, brigadão pela visita. Pois é, deve ter um lado bom nesta história toda: por maiores que sejam as nossas barbaridades, acho que sempre alguém vai nos apoiar, né? Ainda mais se a gente tem dinheiro e trabalha na novela das oito da Globo.

Frederico disse...

Roveri, seus textos são ótimos, não preco um, pois eles conseguem dar "voz" a muita gente. Grande abraço!

Só no blog disse...

Fred, queridão. Muito obrigado. É uma honra ter você por aqui, de verdade. Abração, roveri

Iris disse...

Adorei a entrevista da Susaninha! Eu nunca ri tanto da desgraça alheia!!

Insensibilidades à parte, é triste ver uma mulher não aceitar sua idade e esquecer (ou não saber) o que é "envelhecer bem". Que está longe de simplesmente negar a passagem do tempo (Envelhecer deve ser horrível, mas, como não envelheço, estou ótima - seria Susana uma X-Men? =D) ou colocar um tapa-sexo e sutiã e sair desfilando no Carnaval.

Se bem que em nenhuma idade sair em público de tapa-sexo e sutiã é digno, né.