sexta-feira, novembro 07, 2008

Lágrimas com adoçante

Uma tarde desta semana eu fui sozinho tomar um café em uma padoca da Vila Madalena. Era uma dessas tardes em que a gente decide que não está com pressa e, por isso, não se irrita com a demora no atendimento. Duas mesas depois da minha estava sentado um cara barbudo, com camiseta de grupo de rock e sandálias de couro nos pés. Um tipo que lembrava muito o Marcelo Camelo, do Los Hermanos. A namorada dele chegou alguns minutos depois, já muito nervosa. Eu juro que não queria ouvir toda a briga que se seguiu, mas era impossível. Talvez a palavra correta, aqui, não seja briga, porque ele não abriu a boca um instante sequer. Tudo o que ouvi partiu dela – e eram queixas sobre abandono, a falta da presença dele em momentos importantes da vida dela e a injusta distribuição de tarefas entre o casal. Sobrou até para o telefone celular do rapaz que, segundo a garota, a esta altura já com lágrimas nos olhos, vivia desligado.

E então ela disse a frase mais triste que eu ouvi nos últimos tempos. E que foi esta:

“Eu sei que você não se interessa mais por mim. Mas pelo menos finja. Eu preciso tanto de você”.

Meu café chegou. E ele desceu raspando pela minha garganta fechada.

10 comentários:

Marcela Prado disse...

aiiiiiiii, tadinha. Que coisa decadente.

Kiko disse...

E continuamos vivendo o grande teatrinho da vida real. Não sei como alguém se sujeita a isso...

Anônimo disse...

Serginho, de todo o coração... Seu blog tem os melhores textos e reflexões dos que tenho lido. Não são muitos, tá certo, pq não tenho paciência pra ver neguinho se masturbando - e é por isso que gosto do seu. Vc escreve de maneira sensível, bonita, acurada. Você olha o Outro. Parabéns, lindão.
Mário Viana

Anônimo disse...

Acho que não seria decadente . Decadente pra quem não ama, claro que foi uma falta de se valorizar da parte dela e conserteza essa garota ama muito seu namorado a ponto de de achar que apenas ele fingindo gostar dela, ela vai se sentir melhor,ai vemos onde um ser apaixonado pode chegar pra se sentir bem .
Eu não acho que amar e fazer de tudo por esse amor seja decadente . Mas tbm acredito em limites , mas ai me perguntou a onde esta o limete ? fico proncurando ele as vezes e pergunto pra algum amigo e tal, e acho sempre engraçado quando vamos chorar magoas pra um amigo e ele diz meu chuta o pé na bunda dessa pessoa, ai dou risada por dentro como é facil chutar a pessoa que agente não ama, como é facil falar de decadencia, sem sentimentos .
Abraço

Só no blog disse...

Concordo com você, é impossível dar um pé na bunda da pessoa de quem a gente gosta sem que isso doa muito mais na gente. Pena que não exista receita para resolver todos os nossos problemas, embora os "de fora" vivam apontando soluções, não é? Brigadão pela visita aqui.

Kiko disse...

Não, Sérgio, o pé na bunda sempre dói mais no chutado mesmo, invariavelmente.

Anônimo disse...

Sergio acompanho seu blog sempre, e eu descobri ele no google fui, colocar um texto sobre aniversario,ha eu acabei lendo oq vc tinha escrito sobre seu aniversário, achei o maximo,acabei lendo outras coisas e fiquei meio paralisado com conteùdo dos texto e a sensibilidade de suas reflexões,comecei a mandar seu blog para alguns amigos lerem e acharam ótimo.Enfim é uma pena mesmo que não exista uma receita para tudo inclusive para uma das maiores dores que acho que é o amor, eu com meus 22 anos penso assim ainda , embora alguns amigos q tem já 35,40 anos diz calma, quando vc tiver minha idade vai entender oq estou falando, enquanto isso vou esperando a minha idade chegar, mais tentando amar .
abração marcelo .

Só no blog disse...

Oi, Marcelo, como vai? Bom, antes de mais nada muito obrigado por suas visitas ao meu blog e também por tê-lo indicado aos seus amigos. ESte aqui é meu espaço de reflexão, sinto que eu deveria me dedicar mais a ele, mas eu respeito muito minha inspiração: nos dias em que eu não tenho nada a dizer, eu não apareço. Não quero ficar escrevendo só por escrever, sabe, acho que isso não leva à nada. Você disse uma coisa engraçada, sobre o entendimento do amor que viria com a idade. Olha, acho que está aí uma coisa que a gente nunca vai entender. A vida sempre nos dará uma rasteira neste assunto, eu acho. O que, no fundo, é bom demais: a gente se renova e aprende com cada uma dessas quedas. Apareça sempre, Sérgio

Anônimo disse...

Pode deixar sempre apareço aqui .
Abração,Marcelo

Lou disse...

doloroso...
a cena...
o café...
o reflexo. porque às vezes a gente se enxerga em algum lugar, ainda que a sala esteja vazia.